Quanto do que lemos sabemos como fazer?

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Às vezes fico me perguntando por que não paro de pensar nas coisas que gostaria de fazer e não faço. Então resolvi escrever.

Uma delas é arrumar um jeito mágico de fazer as pessoas sentirem um pouco do que lemos a respeito do autismo. São tantas informações e textos, artigos, mas na verdade o “quanto entra  na prática dos profissionais e quanto entra na vida dos pais”.

Vocês que me acompanham sabem que eu sempre trabalhei numa filosofia humanista, centrada na criança com necessidades especiais e acho que é por isso que eu me apaixonei pelas técnicas e abordagens relacionais. Especificamente o Programa Son Rise, quando os pais de Raun o tiveram eles já estavam buscando um aprofundamento no auto conhecimento e no desenvolvimento humano escolhendo o que sentir em relação ás situações que a vida nos impõe.

Faço atendimento domiciliar como o proposto pelo Son Rise e faço atendimentos em consultório, que também chamo de play roon externo.

O Brasil é predominantemente comportamental e isso não quer dizer que não admirem ou se interessem por uma abordagem relacional. O que posso entender é que todos esperam compreender realmente o que está acontecendo, o que realmente a criança está aprendendo e como está aprendendo. As técnicas e o programa são claros o suficiente para que isso ocorra.

Ouvi durante tantos atendimentos, os depoimentos de pais que diziam que o que eles precisavam era gestão de resultados concretos, registrados e demonstrados. E que isso seria de grande importância para que outras pessoas da família pudessem também observar essa evolução e sendo assim…acalmava seus corações.

Não tenho muita dificuldade em dizer que perdi amados anjinhos para a abordagem comportamental. Tenho enorme dificuldade em me conformar em ficar sem eles…eu sentia o desenvolvimento, eu sentia a qualidade do amor por mim e a cumplicidade de afeto que havia entre a gente. Sabia exatamente que as crianças sabiam que eu era uma pessoa confiável e muito fácil, que não precisavam lutar ou falar para ser atendido e compreendido.  Parece piegas!!!!! Mas não é, é verdade.

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Uma amiga me contou que quando contaram á criança que a tia Sonia não viria mais brincar, ele deu um grito e chorou. Sinto-me triste, não sabemos a razão, podemos deduzir talvez… mas eu sei que ele entendeu, eu sei. Uma criança não verbal me levava pela mão, batia palmas quando eu chegava, fechava a porta do quarto, muitos momentos de isolamento antes da interação…eu estava lá dentro, eu sabia o que acontecia lá dentro. Os outros observavam pela câmera mas só que está dentro é que sabe do sentimento da criança e do facilitador.

Ouvi pais me falando, você é uma pessoa especial para interagir com meu filho, você tem um jeito mágico de encantar meu filho, mas vamos ter de parar.

E isso acontece com tantos outros colegas que também usam uma abordagem mais lúdica e responsiva. Se isso é mágico e especial e faz a criança se desenvolver feliz, POR QUE NÃO?

Porque é difícil, porque é duro, porque requer passar por nossa dinâmica pessoal, porque é  necessário nosso envolvimento,  nosso compromisso diário.

É preciso preparar a sessão, preparar a atividade específica para cada um deles, o que fazemos prá um, muitas vezes não serve para outros. E quantas vezes passamos a noite confeccionando uma brincadeira, pois acreditamos que a criança vai amar… e nada, rs

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Nossa atitude é nos sentir feliz por ele ter conseguido expressar o que não gosta e então podemos guardar e apresentar em outro momento, de um jeito diferente….aquela hora ele não topou mas não quer dizer que não vai gostar da outra e da outra vez…e eu vou persistir.

Essa é outra TÉCNICA, a ser aprendida e aperfeiçoada a cada dia.

É preciso se preparar para entrar no play, saber como vai entrar, que meta irá trabalhar e também é preciso de um treinamento intensivo de inovação, criatividade, agilidade de pensamento e improvisação e emoção.

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Imagine se tudo o que você quer é que sua criança te olhe nos olhos ou te procure com um sorriso e quando isso acontece…..você fica pasmando e não tem nada de animando ou divertido ou útil prá oferecer. Correremos um risco enorme de não aproveitarmos esse tempo de contato que ele nos ofereceu.

Saibam que, existe a TÉCNICA, para fazer isso. Saber fazer pastelão prá criança não parece difícil….saber o momento de fazer e como fazer buscando a meta….requer preparação, concentração e muita atenção enquanto estamos “brincando”construindo a interação dentro do play room.

Voltando aos atendimentos em domicílio ou consultório. O que há de diferente entre esses dois tipos de intervenção?

No play roon em casa, temos tempo mínimo de 2 horas, tranquilidade em nos juntar antes de construir a interação porque as famílias já acreditam no que acreditamos. Já sabem da importância de dar tempo, espaço físico e emocional ao seu filho. As famílias já conhecem os conceitos do método e apreciam cada movimento dentro do play, através de câmeras.

Geralmente o programa é feito por várias pessoas, inclusive os pais, amigos, voluntárias então formamos um time batalhando as mesmas metas durante o mês. Cada um com sua individualidade de relacionamento e interação, mas com as mesmas atitudes dentro e fora do play.

A criação e confecção das brincadeiras são feitas em mutirão divertido, produtivo e animado e também o estabelecimento de novas metas.

Formamos uma equipe de alta performance quando há feedback das sessões, dicas e apoio onde devemos e podemos melhorar. Não há melhores ou piores, cada um é valorizado por seus talentos e disponibilidade de se transformar.

Isso funciona quando há comprometimento com o programa estabelecido e um programa eficaz precisa ser intensivo e forte, mínimo 20 por semana.

No consultório estabeleci o atendimento de 1 hora, geralmente as famílias aguardam na sala de espera, outras vezes entram ao final da sessão.

Qualquer pessoa dentro da sala altera a interação e ás vezes  a criança ainda não está preparada para interagir com duas pessoas. Isso pode ser muito difícil prá ela.

Sentem-se felizes e tranquilas por estarem lá, por terem o compromisso de levar, esperar ou buscar….tudo isso é muito natural, trabalhei 10 anos com neurologia e ainda atendo crianças com paralisia cerebral em Atibaia.

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É físico, concreto, adaptado e motor, Pa! BUF!  e a interação acontece e a gente se diverte e o aprendizado acontece.

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Mas com a criança com autismo é diferente,  eu fico inquieta,  eu quero mais gente prá ajudar, eu quero mais tempo de trabalho, eu preciso de equipe. A ajuda para confeccionar a demanda de atividades é grande.

As orientações são passadas de uma forma informal, sem anotações por escrito, muitas vezes o que conseguimos compartilhar são preocupações pontuais.

É preciso muita explicação e tempo para compreensão do que fazemos e porque fazemos. Vídeos que faço são muitas vezes vistos separadamente sem feedback e esclarecimento das técnicas.

Sei que aqui no Brasil é muito difícil para algumas famílias levarem o programa para casa, muitas trabalham fora, não tem condições financeiras para montar uma equipe, voluntários não é nossa realidade. Não estou julgando ninguém estou abrindo meu coração prá aliviar minha ansiedade.

Sou uma TO sem fronteiras e quero há muito tempo concretizar meu projeto, um lugar para preparar a criança para a inclusão, construir a interação antes de enfrentar o grupo e as regras escolares. Um lugar onde fique comigo e uma equipe comprometida por 4 horas, com play roon, integração sensorial, músicalização, artes e movimento… um verdadeiro PARAÍSO patrocinado por um Anjo Investidor.

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Esse projeto está escrito nas estrelas e aqui comigo também.  Façam algum comentário, quero saber se estou falando sozinha ou tem alguém escutando.

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Ah! E por falar nisso, esse será meu próximo tema. Você está ouvindo o que seu filho está falando? Ou só você fala e ele fica no modo escuta. Ele pode não ser verbal, mas se comunica de alguma forma, então escute, faça silêncio e divirta-se.