Um olhar, um panetone, uma reflexão

Uma criança com autismo estava comendo seu pedaço de panetone junto com seu grupinho numa escola de ensino regular. A inclusão estava sendo trabalhada naquele local. Num dia de supervisão com a equipe eu estava com meus olhos atentos no horário do lanche.

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Observava atentamente se meu anjo azul estava confortável no meio de seus amigos, se ele estava conseguindo manter o foco na alimentação apesar dos ruídos do ambiente, iluminação e outros estímulos. Graciosamente e muito de bem com o momento comia seu pedaço.

Minha surpresa se deu quando observei uma outra criança que também saboreava o panetone esmigalhando e cortando em pedacinhos antes de colocar na boca. Os farelos caíram no chão e fora da toalhinha da mesa. Uma graça, nada de errado para o momento, uma vez que pela idade saboreava também com o tato.

A professora que estava acompanhando comentou comigo “Olha que graça como ela come, sempre que oferecemos bolo ou panetone, ela corta em pedacinhos antes de comer e faz essa bagunça” Deu risada, achando natural e divertido.

Então perguntei á ela: E se fosse o “meu anjo azul” o que você faria? Ela me olhou com uma cara de interrogação e disse: “AH Sonia, para!

E perguntei qual seria seu sentimento ao ver esmigalhando o lanche? E ela muito sem graça me falou que não acharia certo e que mostraria a ele como se deve comer um pedaço de panetone.

Gente isso é maravilhoso viver, presenciar e poder falar no momento em que as coisas acontecem. Qual a diferença? Quem é o diferente? Porque algumas crianças podem brincar e experimentar a comida na hora em que está comendo e ganhar um olhar meigo e afirmativo.

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E porque outros recebem o mesmo olhar mas com reprovação? Nossas crianças antes do autismo também são crianças que exploram. curtem e nos como adultos não temos que ensinar sempre. Ás vezes observar e entender o que está acontecendo realmente.

Porque as atitudes de apreciação, compreensão e aceitação mudam diante das crianças com necessidades especiais?

Nossas crianças não podem nem soltar um PUM que tem gente olhando, rs

As brincadeiras podem ser só brincadeiras e não comportamento inadequado.

EU FICO ATENTA E VOCÊ?

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Coordenação motora fina, Pressionar, Apertar e bagunçar

Usando vazador de libélula e flor fizemos um marcador de livros. sempre é legal quando as crianças levam prá casa um produto feito por elas. Essa sensação de bem estar, do “conseguir”, de mostrar e receber um elogio sorridente dá coragem e segurança.

Quanto que nossas crianças recebem de comemorações, sorrisos durante seu dia?

Observo crianças levadas da “breca” e pais e professores fazendo marcação homem a homem….suados e exaustos tentando conter uma alegria desmedida, uma correria sem fim, rs

Como podemos enxergar algo de bom para comemorar? Não é simples mas pode ser fácil se a gente conseguir perceber

  • a necessidade dessa criança
  • o porquê faz

E como agir nesses momentos….

Mais uma sessão com essa mocinha linda. Meu intuito era trabalhar com coordenação motora fina e percepção visual sequencial. Vejam o que virou, hahhahhaha

Apresentei o modelo: UMA FLORZINHA E UMA LIBÉLULA, UMA FLORZINHA E UMA LIBÉLULA….uma sequencia 1×1

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Percebi logo de cara que era muita informação para que ela conseguisse focar na atividade. Mesmo eu colocando um pingo de cola como referencia e dando apoio verbal….sua atenção e motivação estava em APERTAR O TUBO!!!!!

Ok, apresentarei a Atividade de percepção visual sequencial em outro momento e de um jeito diferente. Nós não precisamos nos frustrar porque PASSAMOS A NOITE PREPARANDO A SESSÃO E…….PUFF. essa é uma técnica e atitude para aproveitar melhor o momento em que estamos com a criança.

Imagine como seria se eu quisesse concluir a atividade da maneira com a qual elaborei? Será que haveria aprendizado eficaz e sensação de bem estar?

Mudamos o foco PRESSIONAR USANDO O VAZADOR, mostrei como funcionava, destaquei onde deveria colocar o papel e depois de várias tentativas com meu apoio e dicas de como pressionar….Deixei….SE VIRA MOCINHA.  LEGAL TENTAR FAZER SOZINHA E TENTAR E TENTAR. ( essa é uma meta forte para ela)
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Essa autonomia dada faz com que a criança, explore, vira de um lado, vira de outro, aperta e percebe que não cortou o papel é o desafio necessário para aprendizagem. VOCÊ PODE ME PEDIR AJUDA, EU POSSO TE AJUDAR, SE QUISER, eu falava.

Ás vezes me olhava e via a minha expressão silenciosa mas encorajando com o olhar e sorriso.

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OLHEM A CONCENTRAÇÃO e a linguinha, rs

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Agora a LIBÉLULA….APROVEITE PARA ARTICULAR BEM:  li bé lu la

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Informações dadas PASSO A PASSO… Vamos encontrar as flores e as libélulas, rsrs

 

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Abre a caixinha….

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Contar as peças….

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Colar no marcador de livros, expliquei o que era no início da sessão. deixei que pegasse a cola.

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E então, sem direcionar…..Ela finalmente fez o que REALMENTE TINHA VONTADE DE FAZER. FEZ O QUE PRECISAVA FAZER PARA SACIAR SUA NECESSIDADE SENSORIAL.

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Percebi claramente o porquê queria fazer. Ela busca o estímulo sensorial tátil como cola, tinta, água, grãos e outros para sentir  pois,  trazem conforto e organização para o SNC.

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Perguntei: La, o que você está fazendo?   Respondeu: Colando a mão, UÉ!!!!!!! hahahhaha

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Sapequinha essa mocinha, rs

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BORA lavar as mãos….

 

 

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Lemos um livro e usamos o marcador e ACABOU. Que peninha!

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