Autismo Encanta

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Dia do Autismo

No Dia do Autismo, 2 de abril, ONU pede conscientização e inclusão

O Brasil não tem estatística sobre o autismo, mas nos Estados Unidos e Europa já se fala sobre a maior epidemia do mundo, saltando de um caso a cada 2.500 pessoas na década de 1990, para o número assustador atual de uma pessoa com autismo a cada 120. Estimou-se em 2007 que no Brasil, país com uma população de cerca de 190 milhões de pessoas naquele ano, havia cerca de 1 milhão de casos de autismo, segundo o Projeto Autismo, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo. No mundo, há mais de 35 milhões de pessoas com autismo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem.

A fim de alertar o planeta para essa tão séria questão, a ONU (Organização das Nações Unidas) criou em 2008 o Dia Mundial da Conscientização do Autismo (World Autism Awareness Day), no dia 2 de abril de cada ano. Para 2010, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou a importância da inclusão social. “Lembremo-nos que cada um de nós pode assumir essa responsabilidade. Vamos nos unir às pessoas com autismo e suas família para uma maior sensibilização e compreensão”, disse ele na mensagem deste ano, mencionando ainda a complexidade do autismo, que precisa de muita pesquisa. Vários monumentos e grandes construções ao redor do mundo se propuseram a iluminar-se de azul como manifestação em favor dessa conscientização no dia 2, como o prédio Empire State, em Nova York, nos Estados Unidos.

No Brasil, é preciso alertar, sobretudo, as autoridades e governantes para a criação de políticas de saúde pública para o tratamento e diagnóstico do autismo, além de apoiar e subsidiar pesquisas na área. Somente o diagnóstico precoce, e consequentemente iniciar uma intervenção precoce, pode oferecer mais qualidade de vida às pessoas com autismo, para a seguir iniciarmos estatísticas na área para termos idéia da dimensão dessa realidade no Brasil. E mudá-la.

O autismo faz parte de um grupo de desordens do cérebro chamado de Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID) – também conhecido como Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD). Para muitos, o autismo remete à imagem dos casos mais graves, mas há vários níveis dentro do espectro autista. Nos limites dessa variação, há desde casos com sérios comprometimentos do cérebro a raros casos com diversas habilidades mentais, com a Síndrome de Asperger (um tipo leve de autismo) – atribuído inclusive a aos gênios Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Mozart e Einstein.

A medicina e a ciência de um modo geral sabem muito pouco sobre o autismo, descrito pela primeira vez em 1943 e somente 1993 incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID 10) da Organização Mundial da Saúde como um transtorno invasivo do desenvolvimento. Muitas pesquisas ao redor do mundo tentam descobrir causas, intervenções mais eficazes e a tão esperada cura. Atualmente diversos tratamentos podem tornar a qualidade de vida da pessoa com autismo sensivelmente melhor.

Para este ano haverá, entre outros eventos promovidos pela ONU, o lançamento do documentário “A Mother’s Courage: Talking Back to Autism” (Coragem de mãe: falando sobre o autismo, em tradução livre), narrado pela premiada atriz Kate Winslet (de Titanic). O filme fala sobre uma mãe islandesa que viaja para os Estados Unidos em busca de novas terapias para o filho que é autista.

Além do dia 2, o mês de abril é considerado o mês da conscientização do autismo no mundo.

PAIVA JUNIOR

Jornalista, MTb: 33.245

A criança em isolamento

A criança em isolamento

Sabemos que uma das características de uma criança com autismo é o isolamento. Quando observamos essa criança, não parece que ela está nos pedindo ajuda ou mesmo querendo ser libertada desse lugar ou dessa situação.

É uma criança que ás vezes sorri tranqüila e totalmente absorta em seus pensamentos  e porque não falar se divertindo. A criança se diverte e se acalma com os ismos, é nisso que acreditamos, as terapeutas Son Rise.

Raun Kaufman, primeira criança que estava autista e que sua história deu origem ao programa Son Rise diz, “autismo é uma desordem sócio relacional e não comportamental”. Mudar o comportamento da criança não a tornará menos autista. Estereotipias são comportamentos repetitivos, auto estimulantes que as crianças fazem por diversas razões. Os ismos nos remetem a duas noções, a criança o faz em isolamento e faz para nos afastar dela. Não porque não ama a mãe, pai e as pessoas e também não é porque não é amada por eles, mas elas são desafiadas a interagir e a controlar o ambiente.

Imagine-se numa sala de aula, onde ouvimos o barulho externo e assim mesmo conseguimos focar nossa atenção no professor e quase não percebemos os ruídos que vem de fora, como se eles diminuíssem o volume. Somos capazes de  nos desligar e nos atentar ao que importa.

As crianças ouvem os sons com o mesmo volume, não filtram e não priorizam o “importante” e recebem uma enxurrada de estímulos sensoriais, parecem não nos ouvir, não prestam atenção, na verdade as crianças fazem com o tato, ouvido e olfato tornando-as sobrecarregadas e confusas.

E quanto tudo está confuso, o mais difícil para a criança com autismo é a interação social, é interagir com os humanos. O que elas tentam é criar a previsibilidade num mundo tão previsível.

E é muito difícil criar algo assim… E buscando o controle, fazem algo previsível para elas, algo que as acalmem imediatamente, balançam as mãos perto dos olhos, se balançam para frente e para trás, pulam e gritam sorrindo, giram rodas de carros, enfileiram objetos e tantos outros movimentos repetitivos ou atividades rígidas ou rituais pré definidos.

Outra luta de nossas crianças é a difícil habilidade de fazer amigos. E será que isso é ensinado por nós adultos? Só para refletir.

Na prática observo e concordo inteiramente com Raun quando diz que para fazer amigos é compartilhar dos mesmos interesses e as vezes fazemos algo para agradar o outro mesmo quando não queremos porque é muito bom ver o outro feliz.

Seu filho não amará tudo o que você o ensinar mas poderá estar envolvido com você e tão interessado que investirá em você.

E se não mudarmos nosso olhar em relação a isso, se não aceitarmos a criança como ela está naquele momento e se não nos juntarmos a ela com uma atitude de apreciação pelo que faz e compreensão, estaremos o tempo todo a impedindo de se organizar. A mensagem que aparecerá assim “Pare de fazer o que quer e faça o que eu quero”.

Amar a criança por inteiro é amar e apreciar o que ela faz com a certeza que faz o melhor que ela pode. E podemos ajudá-las a passar por isso de uma forma lúdica e dinâmica, nos juntando no isolamento, esperando o sinal verde da interação, daí para a fase interessada e altamente conectada.

Nesse precioso momento que a criança se abre, podemos solicitar (metas, de contato visual, linguagem…), pois está preparada e motivada para aprender.

Sonia Falcão

Terapeuta Ocupacional

Fonte: texto adaptado de um vídeo do site: inspiradospeloautismo.com.br